Postagens

Sem lugar de fala

 Sofri muito com a perda do Lô Borges, mas não tive com quem conversar.  Não vi sentido em fazer postagem. Não senti que estava em posição de conversar com amigos. Não senti que haveria espaço nem pertinência.  De repente percebi que não tenho lugar de fala. Não aquele lugar de fala no sentido do discurso, mas um lugar literal mesmo, de exercício da fala, de colocação da fala em prática. Eu não tinha onde colocar em prática o meu direito ou o meu desejo de falar. Não tinha com quem conversar. Não tinha onde conversar.  Isso me deu uma percepção enorme da solidão.   (Texto em produção para possível desenvolvimento)

Sem sentido para escrever

Sempre gostei de escrever e, em muitas épocas da vida, escrevi mesmo. Desde que a internet apareceu, em meados dos anos 90, abracei com entusiasmo, primeiro, a ideia de ter homepages, depois, blog e, finalmente, perfil no Facebook; enfim, a perspectiva de que o que eu escrevesse estaria em alguma perspectiva de possibilidade partilha e diálogo. Desde principalmente o pós-pandemia, porém, algo mudou. A escrita saiu de minha vida. Por que será? Um motivo sem dúvida foi a mudança de foco das redes sociais e minha tomada de consciência de quão estéreis elas eram no quesito da criação. Quando as antigas homepages foram destronadas pelos blog, eu lamentei, porque sentia que a lógica do blog era de mais efemeridade e de menos planejamento textual, mas mantive por muitos anos o Blog do Lentz, cuja praticidade, paradoxalmente, acabou abrindo portas para que eu escrevesse habitualmente. Quando os blogs começaram a ser suplantados pelo Facebook, lamentei também, por motivos semelhantes aos de ant...